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      Aug 07, 2020

Categoria: Letras

Até logo, vovó!
Até logo, vovó!

Tati sentou-se quieta no canto da sala. Aquele era um dia muito triste: sua avó havia falecido.

– Por que a vovó morreu? – a menina perguntou ao pai.

Normalmente, seu pai explicaria tim-tim por tim-tim o que havia acontecido. Mas, desta vez, ele apenas a pegou no colo sem dizer nada.

A casa estava cheia de visitas. Os adultos cochichavam, abraçavam-se, choravam. Tati observava tudo sem entender direito o que estava acontecendo. Aonde a vovó foi? Não irá voltar nunca mais?

Quando a garota já estava ficando cansada de tantas perguntas, apareceu o tio Rodolfo, irmão de sua mãe. Até ele, que sempre fora tão sorridente, estava com o ar triste.

– Minha sobrinha favorita! – o tio Rodolfo puxou papo. – Posso saber em que a senhorita está pensando?

– Nada não, tio – Tati respondeu olhando para o teto. – Só queria entender…

– Entender o quê?

– Ah, um monte de coisa!

– Que tal perguntar para o seu tio favorito? Talvez ele possa dar uma mãozinha.

Tati deu seu primeiro sorriso daquele dia. O tio Rodolfo era realmente o seu favorito.
É, quem sabe ele poderia ajudar.

– Bom, tio. Eu queria entender melhor o que é a morte. A vovó morreu, certo? Mas… o que isso realmente quer dizer?

– Quer dizer, Tati, que ela deixou de respirar, de viver.

– Como assim?

  A morte é o fim da vida. Para a sua avó, hoje foi o último dia, como o fim de um filme.

– E para onde ela foi? Ela está no céu?

– Não, querida. Ela foi colocada em uma grande caixa de madeira, que será enterrada mais tarde.

– Mas, tio, a vovó não gosta de lugares fechados! Ela não pode ficar trancada em uma caixa. Temos que fazer alguma coisa! – Tati se levantou com um pulo.

– Não, querida. A vovó não pode sentir mais nada.

– Ah, tio Rodolfo… Por que a vovó morreu? – a menina começou a chorar.

– Tati, nós nascemos, crescemos, vivemos e, então, morremos. Acontece com todo mundo.

– Mas não devia ser assim! Eu nunca mais vou ver a vovó… – Tati chorou ainda mais.

– É, meu anjo, eu concordo com você. Não devia ser assim. Mas, infelizmente, a morte existe em nosso mundo – o tio abraçou a sobrinha e também chorou um pouco.

Silêncio.

  A boa notícia é que um dia isso vai acabar… – o Tio Rodolfo recomeçou.

– Vai acabar? – Tati ergueu os olhos.

– Vai, sim, Tati, eu acredito que a morte vai acabar, sim.

– E quando vai ser isso, tio?

– Quando Jesus voltar. Neste dia, todas as pessoas que já morreram vão viver novamente.

– Então, vou ver a vovó de novo… – a cabecinha de Tati estava a mil. – É verdade, tio Rodolfo?

– É, sim! A gente tem essa esperança. Jesus é poderoso e prometeu que viveríamos para sempre!

– Ah, que bom, que bom! Não vejo a hora disso acontecer…

– Eu também aguardo ansiosamente, querida. Será um dia maravilhoso!

Tati e tio Rodolfo se abraçaram novamente. Agora, em vez de só tristeza, o coração deles também se encheu de uma misturinha de fé e esperança.

Planejamento
Planejamento

Tenho dez moedas iguais.

1 pertence a Deus.

2 vão ajudar outras crianças a aprender acerca de Jesus.

3 vão para meu cofrinho. Vou precisar delas quando for à escola.

4 vão para minha bolsinha de moedas. Quando eu for fazer compras com a mamãe, vou comprar dois balões: um para mim e outro para minha amiga.

Eu tinha dez moedas iguais. Usei cada uma delas com bastante inteligência.

Dinheiro para um celular
Dinheiro para um celular

Gabriela e Marcela. Duas irmãs e um só desejo, que os pais não podiam atender: ambas queriam o mais moderno celular que havia sido lançado.

Depois de ouvir mais uma vez que as filhas queriam aquele aparelho de presente, o pai teve uma ideia:

– Vocês sempre ganham algum dinheiro dos tios, dos avós ou até mesmo da mamãe e de mim. Por que não guardam esse dinheiro para vocês mesmas comprarem um celular desses?

A ideia não parecia muito interessante. Como elas poderiam juntar tanto dinheiro, se ganhavam uma mixaria aqui e outra ali?

– Acreditem, se juntarem todo o dinheiro que ganham, com o tempo, terão dinheiro suficiente para comprar o aparelho – garantiu o pai.

Sem alternativa, Gabriela e Marcela resolveram aceitar a sugestão. Não havia se passado sequer uma semana quando elas receberam a visita do avô Osvaldo. Mal chegou, ele enfiou a mão no bolso e tirou uma nota de dez reais para cada neta. Disse que era para elas comprarem um docinho, quando quisessem.

Os olhinhos das meninas brilharam. Imediatamente, Gabriela guardou seus dez reais; mas Marcela apenas os enfiou no bolso da blusa. Mais tarde, naquele mesmo dia, quando foi ao supermercado com a mamãe, Marcela resolveu gastar seu dinheiro com balas de goma e cartelas de adesivos. Lá se foi o dinheiro dado pelo vovô.

Dois dias depois, a tia Lúcia Helena convidou as meninas para tomar uma grande taça de sorvete.

– Se eu tomar só uma bolinha de sorvete, você me dá o restante do dinheiro que eu gastaria se tomasse uma taça? – negociou Gabriela.

A tia topou e ela embolsou mais uns trocados. Mas Marcela tomou sua banana-split e não enbolsou dinheiro algum.

E as meninas continuaram assim: Gabriela poupando o que podia para comprar seu celular e Marcela guardando um ou outro dinheirinho, sem resistir muito à tentação de gastar quando lhe aparecia essa oportunidade.

Meses depois, Gabriela anunciou ao papai que achava ter todo o dinheiro necessário para comprar seu celular.

– E você, Marcela? – quis saber o pai.

– Não sei. Preciso ver – respondeu a menina correndo para o quarto e começando a contar o dinheiro que possuía.

Poucos minutos depois, ela voltou dizendo que tinha apenas R$ 27. Não daria para comprar o celular com tão pouco dinheiro. Mas Gabriela tinha toda a quantia necessária e, por isso, naquela mesma semana, ela e o pai foram até uma das lojas de celulares da cidade e escolheram um modelo muito bonito e com muitas funções – muito mais moderno do que o que ela havia planejado inicialmente.

Marcela teve que se conformar sem celular, mas aprendeu que dinheiro é um item difícil de ser conseguido e, portanto, deve ser usado com muita sabedoria e cuidado.

Simplicidade
Simplicidade

Vejo muitas e muitas bonecas quando vou à loja, mas não compro nenhuma. Eu já tenho o suficiente.

Vejo fileiras de lindas roupas: jaquetas vermelhas e azuis, mas compro apenas um par de calças. Isso é tudo o que eu preciso.

Quando vamos ao supermercado, vejo todo tipo de bombons, mas mamãe compra apenas as coisas de que precisamos. Eu gostaria de comprar uvas, mas elas estão muito caras agora. Compraremos uvas quando estiverem mais baratas. Algumas crianças nunca comeram uvas.

Há muitas coisas que eu gostaria de ter, mas compro apenas o que é necessário.

O rei do lanche
O rei do lanche

Para Caio, o momento mais esperado do dia era a hora do recreio. E não pense que era por causa das brincadeiras com os amigos. Caio era o rei do lanche e só vivia pensando em comida. Sua lancheira era recheada de guloseimas: salgadinhos, chocolates, refrigerantes, sanduíches… E ele comia tudo sozinho, sem dividir com ninguém.

Tão empanturrado Caio ficava que, quando chegava em casa, nem tinha vontade de almoçar. Nas raras vezes em que colocava o garfo na boca, exigia sempre o mesmo – muitas batatas fritas e sorvete de sobremesa. Dos legumes, verduras e frutas – chamados, por ele, de “coisas verdes” –, ele queria distância.

À tarde, a diversão estava garantida com o computador, a televisão e seus “fiéis escudeiros” – pipoca, bala e brigadeiro. Desse jeito, nem sobrava espaço
para o jantar.

Caio estava feliz assim, mas sua mãe não. Dona Cíntia sabia que seus colegas o chamavam de “Bolão”, de tão gordo que ele estava. Pensando nisso, ela decidiu que já estava na hora de acabar com aquele festival de guloseimas. E era pra já!

No dia seguinte, Caio ficou horrorizado ao abrir a lancheira. Fez uma cara tão feia que os amigos logo chegaram perto pra ver: era só uma pera e um suquinho.

– Comida! – gritou o “Bolão”, desesperado, com o estômago roncando igual a um trovão.

– Tire o olho do meu lanche – esbravejou a Mônica, quando viu o Caio espiando seu suculento sanduíche.

Como todas as crianças protegeram suas lancheiras, Caio resolveu se distrair jogando futebol. Já haviam se passado uns 20 minutos de jogo e a torcida pedia gol. Caio estava pronto para chutar, quando viu, no lugar do goleiro, uma imensa barra de chocolate. O estranho é que, de repente, todos os outros jogadores também se transformaram em chocolate. No meio de tanta confusão, o faminto jogador acabou perdendo a bola para o outro time, que venceu a partida.

Em casa, outro pesadelo. Caio chegou louco para comer, mas só encontrou arroz, feijão e “coisas verdes” no prato. Sem poder atacar a geladeira ou o armário, ele foi assistir à TV. O problema é que, não importava o canal, só aparecia comida. Não teve jeito. Acabou devorando o almoço “verde”.

Ainda bem, que o dia seguinte era sábado. Quem sabe sua mãe iria desistir daquela ideia maluca.
E ele chegou até a acreditar nisso.

– Hoje, é você quem vai montar o prato – afirmou Dona Cíntia, percebendo a satisfação
no rosto do filho.

Só que assim que Caio chegou à mesa, teve uma enorme decepção. As travessas estavam cheias de tudo o que ele não gostava.

– Se comer tudinho, deixo você escolher o que vamos comer no jantar – propôs a mãe.

– Fechado! – gritou Caio, sem hesitar.

No início, foi difícil enfrentar os “vilões” do seu prato, mas logo ele começou a inventar histórias na hora de comer, como a do Superbatata que lutou no mar de alface para salvar a Princesa Cenoura da prisão do terrível Brócolis.

Foi assim que Caio passou a comer de tudo um pouco. Com o tempo, o “Bolão” se transformou em “Magrão” e conquistou o título de melhor jogador de futebol da escola. O segredo para o sucesso: frutas, verduras e legumes todos os dias – mas sem cara feia.

A palavra mágica
A palavra mágica

– Ai de mim! Ai de mim! – resmungava Celinha, enquanto caminhava com Débora em direção à sala de aulas.

– O que foi? Não estudou para a prova de Ciências? – perguntou a amiga.

– Estudei muito, mas tive tanto azar até agora. Tenho certeza de que não irá melhorar.

Então Celinha começou a contar tudo o que tinha acontecido com ela até aquele momento.

Pela manhã, na hora de pentear o cabelo, acabou deixando cair o espelho que estava preso à parede. Ele se espatifou em pedacinhos. Segundo o que Celinha sabia, seriam sete anos de azar.

E, ao que tudo indicava, os sete anos já estavam valendo, porque ela mal saiu de casa e já foi surpreendida por um gato preto. Assustada com o que viu, Celinha fechou os olhos, repetindo para si mesma: “Eu não vi isso, eu não vi isso, eu não vi isso…” E aí o que ela não viu foi uma escada encostada na frente de uma papelaria, que o dono pusera ali para arrumar os letreiros da loja. Pobre Celinha! Acabou passando debaixo da escada e só se deu conta disso quando já estava longe, na mesma calçada.

“Não é possível”, pensou a menina consigo mesma. “E olha que nem teremos sexta-feira 13 neste mês de agosto… Mas será que todo esse azar também vale se a sexta for dia 14?” Pensando nessas coisas, Celinha acabou tropeçando numa pedra perto da escola. Por pouco, ela não caiu na frente de todo mundo.

E era por tudo isso que ela resmungava daquele jeito perto da Débora.

Depois de ouvir tudo o que Celinha tinha para contar, Débora fez uma revelação.

– Bem, Celinha, você é uma amiga muito especial. Então acho que posso dividir um segredo com você.

– E o que é? – os olhos de Celinha brilharam.

– Há uma palavrinha que dá muita sorte. E eu sei que palavra é essa. Já que você estudou, posso escrever a palavra neste papel aqui – e Débora escreveu sem deixar que a amiga visse a palavra –, vou dobrar desta maneira e você deve guardá-lo até o fim da prova.

– Isso funciona? – perguntou Celinha, meio desconfiada, guardando o papel dobrado no bolso.

– E muito – garantiu a amiga. – Você vai ver.

A professora entrou na classe e foi logo distribuindo as provas. Celinha olhou rapidamente para a amiga, que sorria para ela muito confiante. De alguma forma, isso deixou Celinha mais tranquila. Como a Débora era legal em dividir com ela aquele amuleto de sorte (será que ela poderia chamá-lo assim?)!

Os alunos começaram a fazer a prova. Imediatamente, Celinha percebeu que as questões não estavam difíceis. “Oba! A palavra mágica já está fazendo efeito!” Ela se inclinou sobre a prova e começou a escrever as respostas.

Depois que a Celinha terminou a prova, percebeu que a Débora também estava entregando a sua. Elas se encontraram do lado de fora da sala, no recreio.

– Obrigada pela palavra mágica! Ela salvou o meu dia – falou Celinha para a amiga.

Então Débora pediu o papel dobrado para a amiga e o desdobrou na frente dela, mostrando-lhe que palavra era essa.

– Confiança? – leu Celinha.

– Não existe palavra mágica – falou Débora. – O que existe é o seguinte: você estudou e só precisava ficar confiante para se sair melhor na prova. As coisas não têm poder para trazer azar ou sorte. Na verdade, o que ocorre na vida da gente não tem nada a ver com isso, mas tem a ver com oportunidades aproveitadas ou desperdiçadas.

– É, acho que você tem razão – concordou Celinha. – Ainda bem que eu não desperdicei meu tempo e estudei para a prova de hoje, senão…

– Senão seria um tremendo azar – completou Débora, rindo e brincando com a amiga.

Hábitos de saúde
Hábitos de saúde

Gosto de biscoitos redondos, biscoitos quadrados,
biscoitos macios, todos os biscoitos; mas, se eu comesse somente biscoitos, ficaria doente!

Gosto de flocos de milho na refeição da manhã, no
almoço, no jantar; mas, se eu comer somente flocos de
milho, ficarei doente!

Eu gostaria de comer durante quase o tempo todo, mas minha mãe diz:

– Seu estômago precisa descansar.

Portanto, eu como somente à hora das refeições, e não fico doente!

O dia do brinquedo
O dia do brinquedo

Evandro sentia um misto de euforia e vergonha no Dia do Brinquedo. Neste dia, todas as crianças da classe traziam para a escola seu brinquedo preferido e, então, todos brincavam juntos, com os brinquedos uns dos outros. Evandro ficava todo animado, pois brincaria com coisas diferentes. Porém, tentava esconder seu próprio brinquedo para que ninguém visse.

Sendo de uma família muito simples, Evandro raramente ganhava brinquedos. Sabendo disto, o avô Lourival o presenteava com carros, caminhões e até bonecos de madeira. Brincar em casa era divertido, mas o garoto sempre tinha receio de que os amigos fizessem alguma piadinha por só trazer artesanato e não um daqueles belos e brilhantes brinquedos que passavam na televisão.

Finalmente, o Dia do Brinquedo chegou. Assim que a professora anunciou a hora da brincadeira, os alunos tiraram da mochila o equipamento de diversão. Evandro aproveitou o alvoroço e depositou no meio dos diversos brinquedos um carrinho artesanal, feito pelas mãos habilidosas de seu avô.

Logo, Evandro encontrou um boneco de astronauta. Não podia acreditar que teria a chance de brincar com aquele brinquedo que piscava luzes e até falava. O garoto, que sempre quis ter um daqueles bonecos, viajou na brincadeira e nunca antes o Dia do Brinquedo passou tão rápido.

Quando a professora anunciou que estava na hora de se arrumarem para a saída, foi aquele tumulto: a criançada correndo, cada um pegando seu brinquedo e colocando dentro das bolsas.

Ao chegar em casa, Evandro teve uma surpresa: alguém havia colocado dentro da mochila o boneco do astronauta e, certamente, esse alguém levara seu carrinho de madeira enganado.

Com o brinquedo nas mãos, Evandro pensou: “Ninguém jamais suspeitará de que eu o peguei.”Porém, essa ideia foi confrontada com a voz de sua consciência. Aquilo seria como roubar alguém. Mas Evandro queria muito ter o brinquedo e sabia que não teria condições de comprar um… O que fazer?

O garoto não conseguiu brincar com o boneco naquela noite e dormiu pensando se o devolveria ou não para o verdadeiro dono.

No dia seguinte, Evandro caminhou para a escola. O astronauta ia dentro da mochila, pois ele já tinha tomado a decisão de devolvê-lo.

Porém, ao chegar no portão, um amigo chamado Vítor o parou, dizendo que, no dia anterior, por engano, ficou com o caminhão artesanal. O pai de Vítor interrompeu a conversa e disse para Evandro que era colecionador de brinquedos de madeira e que, fascinado com o carrinho, queria comprá-lo.

– Não posso vendê-lo – disse Evandro e, depois de pensar um pouco, falou: – Mas ficaria contente se o senhor o aceitasse como presente.

O homem aceitou de imediato e Evandro comentou que também levou um brinquedo errado para casa.

– Esse boneco é meu – disse Vítor ao ver o astronauta nas mãos do amigo. – Ou melhor, agora é seu, pois eu também quero dá-lo de presente a você.

Quase sem acreditar no desfecho daquela situação, Evandro agradeceu o colega e se surpreendeu quando, nas semanas seguintes, brinquedo artesanal virou mania no Dia do Brinquedo.

Texto: Denis Cruz

Amor ao próximo
Amor ao próximo

Fomos visitar Judite. Ela não tem brinquedos. Dei-lhe minha boneca preferida. Fiquei sem minha boneca, mas Judite está muito feliz com ela.

Depois do almoço, mamãe me deu uma laranja. Fui brincar com Maria. Ela não tinha laranja. Dei metade da minha laranja para ela. Isso a deixou muito contente.

O bebê está chorando. Mamãe precisa trabalhar. Eu gostaria de brincar com meus brinquedos, mas fui brincar com o bebê. Isso deixou mamãe feliz.

Sinto falta de minha boneca, a metade de uma laranja não foi suficiente para mim, e eu não queria brincar com o bebê. Mas fiquei contente.

Mamãe disse que Jesus também ficou contente.

Vai doer?
Vai doer?

– Só me diz se vai doer.

Mas, na verdade, isso não era tudo o que a Ana Carolina queria saber. Ela também ficou perguntando por que, afinal, tinha que tomar vacina. Já não tinha tomado uma quando tinha cinco anos? Não era a última que devia tomar até ter 15 anos? “Tinham dito isso”, ela argumentava na sala de espera do posto de saúde.

– De uma vez por todas, filha, entenda: este é um caso especial – tentava explicar a mãe, pacientemente. – Todo mundo que viaja para áreas de risco, como nós vamos fazer, tem que tomar vacina para ficar protegido.

– Se eu tiver febre, posso colocar um pano úmido na testa. Sei que vai passar…

– Com febre amarela não é assim, filha. Quem contrai a doença precisa se tratar em um hospital, para que a situação não fique mais grave. Por isso, é melhor se prevenir.

– Por que essa vacina não é de gotinha? Devia ser… – disse Ana Carolina.

– Não se preocupe. Dói menos do que uma picadinha de formiga – mais uma vez a mãe tentou tranquilizar a filha.

– Mas, mãe…

E  não houve tempo para mais nenhuma pergunta porque uma das atendentes do posto chamou o nome da menina, que arregalou os olhos mas acompanhou a enfermeira até a sala de vacinas. Enquanto a enfermeira preparava a vacina, a menina olhava para a mãe com a carinha mais preocupada do mundo. Então, a enfermeira se aproximou, Ana Carolina virou o rosto para o outro lado, fez uma careta e… acabou. Pronto! Tinha tomado a vacina.

Dez dias depois, a família toda partiu de férias para o centro-oeste do Brasil, uma região linda, com muitas plantas diferentes e animais interessantes. Nas áreas urbanas, visitaram casarões e igrejas do período colonial – uma beleza! Ana Carolina tirou fotos maravilhosas e aproveitou cada passeio. Ela voltou de lá cheia de histórias para contar. E hoje, se você perguntar: E a vacina, Ana Carolina, doeu?, ela vai responder: Doer… doeu, mas valeu!