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      Apr 18, 2019

Categoria: História

A palavra mágica
A palavra mágica

– Ai de mim! Ai de mim! – resmungava Celinha, enquanto caminhava com Débora em direção à sala de aulas.

– O que foi? Não estudou para a prova de Ciências? – perguntou a amiga.

– Estudei muito, mas tive tanto azar até agora. Tenho certeza de que não irá melhorar.

Então Celinha começou a contar tudo o que tinha acontecido com ela até aquele momento.

Pela manhã, na hora de pentear o cabelo, acabou deixando cair o espelho que estava preso à parede. Ele se espatifou em pedacinhos. Segundo o que Celinha sabia, seriam sete anos de azar.

E, ao que tudo indicava, os sete anos já estavam valendo, porque ela mal saiu de casa e já foi surpreendida por um gato preto. Assustada com o que viu, Celinha fechou os olhos, repetindo para si mesma: “Eu não vi isso, eu não vi isso, eu não vi isso…” E aí o que ela não viu foi uma escada encostada na frente de uma papelaria, que o dono pusera ali para arrumar os letreiros da loja. Pobre Celinha! Acabou passando debaixo da escada e só se deu conta disso quando já estava longe, na mesma calçada.

“Não é possível”, pensou a menina consigo mesma. “E olha que nem teremos sexta-feira 13 neste mês de agosto… Mas será que todo esse azar também vale se a sexta for dia 14?” Pensando nessas coisas, Celinha acabou tropeçando numa pedra perto da escola. Por pouco, ela não caiu na frente de todo mundo.

E era por tudo isso que ela resmungava daquele jeito perto da Débora.

Depois de ouvir tudo o que Celinha tinha para contar, Débora fez uma revelação.

– Bem, Celinha, você é uma amiga muito especial. Então acho que posso dividir um segredo com você.

– E o que é? – os olhos de Celinha brilharam.

– Há uma palavrinha que dá muita sorte. E eu sei que palavra é essa. Já que você estudou, posso escrever a palavra neste papel aqui – e Débora escreveu sem deixar que a amiga visse a palavra –, vou dobrar desta maneira e você deve guardá-lo até o fim da prova.

– Isso funciona? – perguntou Celinha, meio desconfiada, guardando o papel dobrado no bolso.

– E muito – garantiu a amiga. – Você vai ver.

A professora entrou na classe e foi logo distribuindo as provas. Celinha olhou rapidamente para a amiga, que sorria para ela muito confiante. De alguma forma, isso deixou Celinha mais tranquila. Como a Débora era legal em dividir com ela aquele amuleto de sorte (será que ela poderia chamá-lo assim?)!

Os alunos começaram a fazer a prova. Imediatamente, Celinha percebeu que as questões não estavam difíceis. “Oba! A palavra mágica já está fazendo efeito!” Ela se inclinou sobre a prova e começou a escrever as respostas.

Depois que a Celinha terminou a prova, percebeu que a Débora também estava entregando a sua. Elas se encontraram do lado de fora da sala, no recreio.

– Obrigada pela palavra mágica! Ela salvou o meu dia – falou Celinha para a amiga.

Então Débora pediu o papel dobrado para a amiga e o desdobrou na frente dela, mostrando-lhe que palavra era essa.

– Confiança? – leu Celinha.

– Não existe palavra mágica – falou Débora. – O que existe é o seguinte: você estudou e só precisava ficar confiante para se sair melhor na prova. As coisas não têm poder para trazer azar ou sorte. Na verdade, o que ocorre na vida da gente não tem nada a ver com isso, mas tem a ver com oportunidades aproveitadas ou desperdiçadas.

– É, acho que você tem razão – concordou Celinha. – Ainda bem que eu não desperdicei meu tempo e estudei para a prova de hoje, senão…

– Senão seria um tremendo azar – completou Débora, rindo e brincando com a amiga.

O dia do brinquedo
O dia do brinquedo

Evandro sentia um misto de euforia e vergonha no Dia do Brinquedo. Neste dia, todas as crianças da classe traziam para a escola seu brinquedo preferido e, então, todos brincavam juntos, com os brinquedos uns dos outros. Evandro ficava todo animado, pois brincaria com coisas diferentes. Porém, tentava esconder seu próprio brinquedo para que ninguém visse.

Sendo de uma família muito simples, Evandro raramente ganhava brinquedos. Sabendo disto, o avô Lourival o presenteava com carros, caminhões e até bonecos de madeira. Brincar em casa era divertido, mas o garoto sempre tinha receio de que os amigos fizessem alguma piadinha por só trazer artesanato e não um daqueles belos e brilhantes brinquedos que passavam na televisão.

Finalmente, o Dia do Brinquedo chegou. Assim que a professora anunciou a hora da brincadeira, os alunos tiraram da mochila o equipamento de diversão. Evandro aproveitou o alvoroço e depositou no meio dos diversos brinquedos um carrinho artesanal, feito pelas mãos habilidosas de seu avô.

Logo, Evandro encontrou um boneco de astronauta. Não podia acreditar que teria a chance de brincar com aquele brinquedo que piscava luzes e até falava. O garoto, que sempre quis ter um daqueles bonecos, viajou na brincadeira e nunca antes o Dia do Brinquedo passou tão rápido.

Quando a professora anunciou que estava na hora de se arrumarem para a saída, foi aquele tumulto: a criançada correndo, cada um pegando seu brinquedo e colocando dentro das bolsas.

Ao chegar em casa, Evandro teve uma surpresa: alguém havia colocado dentro da mochila o boneco do astronauta e, certamente, esse alguém levara seu carrinho de madeira enganado.

Com o brinquedo nas mãos, Evandro pensou: “Ninguém jamais suspeitará de que eu o peguei.”Porém, essa ideia foi confrontada com a voz de sua consciência. Aquilo seria como roubar alguém. Mas Evandro queria muito ter o brinquedo e sabia que não teria condições de comprar um… O que fazer?

O garoto não conseguiu brincar com o boneco naquela noite e dormiu pensando se o devolveria ou não para o verdadeiro dono.

No dia seguinte, Evandro caminhou para a escola. O astronauta ia dentro da mochila, pois ele já tinha tomado a decisão de devolvê-lo.

Porém, ao chegar no portão, um amigo chamado Vítor o parou, dizendo que, no dia anterior, por engano, ficou com o caminhão artesanal. O pai de Vítor interrompeu a conversa e disse para Evandro que era colecionador de brinquedos de madeira e que, fascinado com o carrinho, queria comprá-lo.

– Não posso vendê-lo – disse Evandro e, depois de pensar um pouco, falou: – Mas ficaria contente se o senhor o aceitasse como presente.

O homem aceitou de imediato e Evandro comentou que também levou um brinquedo errado para casa.

– Esse boneco é meu – disse Vítor ao ver o astronauta nas mãos do amigo. – Ou melhor, agora é seu, pois eu também quero dá-lo de presente a você.

Quase sem acreditar no desfecho daquela situação, Evandro agradeceu o colega e se surpreendeu quando, nas semanas seguintes, brinquedo artesanal virou mania no Dia do Brinquedo.

Texto: Denis Cruz

Vai doer?
Vai doer?

– Só me diz se vai doer.

Mas, na verdade, isso não era tudo o que a Ana Carolina queria saber. Ela também ficou perguntando por que, afinal, tinha que tomar vacina. Já não tinha tomado uma quando tinha cinco anos? Não era a última que devia tomar até ter 15 anos? “Tinham dito isso”, ela argumentava na sala de espera do posto de saúde.

– De uma vez por todas, filha, entenda: este é um caso especial – tentava explicar a mãe, pacientemente. – Todo mundo que viaja para áreas de risco, como nós vamos fazer, tem que tomar vacina para ficar protegido.

– Se eu tiver febre, posso colocar um pano úmido na testa. Sei que vai passar…

– Com febre amarela não é assim, filha. Quem contrai a doença precisa se tratar em um hospital, para que a situação não fique mais grave. Por isso, é melhor se prevenir.

– Por que essa vacina não é de gotinha? Devia ser… – disse Ana Carolina.

– Não se preocupe. Dói menos do que uma picadinha de formiga – mais uma vez a mãe tentou tranquilizar a filha.

– Mas, mãe…

E  não houve tempo para mais nenhuma pergunta porque uma das atendentes do posto chamou o nome da menina, que arregalou os olhos mas acompanhou a enfermeira até a sala de vacinas. Enquanto a enfermeira preparava a vacina, a menina olhava para a mãe com a carinha mais preocupada do mundo. Então, a enfermeira se aproximou, Ana Carolina virou o rosto para o outro lado, fez uma careta e… acabou. Pronto! Tinha tomado a vacina.

Dez dias depois, a família toda partiu de férias para o centro-oeste do Brasil, uma região linda, com muitas plantas diferentes e animais interessantes. Nas áreas urbanas, visitaram casarões e igrejas do período colonial – uma beleza! Ana Carolina tirou fotos maravilhosas e aproveitou cada passeio. Ela voltou de lá cheia de histórias para contar. E hoje, se você perguntar: E a vacina, Ana Carolina, doeu?, ela vai responder: Doer… doeu, mas valeu!

O Terrível Senhor Complexo
O Terrível Senhor Complexo

Maurício não gostava de ir à escola. É que todos os meninos da classe sempre caçoavam dele por causa do seu cabelo vermelho. Eles o chamavam de Foguinho. Isso o aborrecia muito. Tanto que, certa noite, ele confessou à mãe:

– Ah, mamãe, detesto o meu cabelo. Por que ele tem que ser desta cor?

– Meu filho, não ligue para o que os outros falam. Cada pessoa é de um jeito. Uns têm cabelo crespo, outros, liso, e cada um de uma cor diferente. Se você der a atenção a esses moleques, vai deixar com que o Senhor Complexo tome conta de você.

– O Senhor Complexo? Quem é ele, mamãe?

– Bem, o Senhor Complexo é um terrível agente inimigo que, se deixarmos, entra disfarçado em nosso pensamento e destrói tudo o que somos. Por isso, devemos nos aceitar como somos. Veja, por exemplo, os animais da floresta: cada um tem suas próprias características.

Maurício não entendeu muito o que a mãe havia dito e dormiu preo­­cupado, pensando no tal Senhor Complexo. Sua cabeça estava “voando”… Não demorou muito para que dormisse e sonhasse:

Era uma linda manhã na floresta. Todos os animais brincavam despreo­­cupados e felizes. De repente, uma nuvem negra se aproximou. Era o Senhor Complexo! Ele começou a atuar na mente dos animais, sem que ninguém percebesse.

O primeiro a ser atingido foi o Tucano. O Senhor Complexo lhe cochichou:

– Você não tem vergonha, seu narigudo? Com um nariz tão grande assim, você não deve achar nem lenço para comprar!

Em seguida, foi a vez da Coruja:

– E você, por que ainda não fez uma cirurgia plástica? Com tanta feiura, nunca vai arranjar casamento!

Ao Elefante, ele disse:

– Rapaz, você está gordo, hein! Devia fazer um bom regime…

E assim foi ele, criticando a tudo e a todos. Chamou a Girafa de pescoçuda, ao Macaco, de magricelo; ao Leão, de hippie cabeludo.

Foi então que, de uma só vez, todos na floresta resolveram mudar o visual. A Coruja fez uma plástica; o Tucano operou o nariz; o Elefante emagreceu; a Girafa deu um jeito de en­­curtar o pescoço; o Macaco fez ginástica e ficou fortão; e o Leão adotou um moderno corte de cabelo, quase careca.

Mas foi o aí que um grande problema surgiu. Certa noite, um grupo de ladrões entrou na floresta para assaltá-los. A Coruja, como sempre, estava de guarda para assustar os bandidos. Mas, como estava muito bonita, os bandidos nem deram bola.

Quando o Leão ouviu os ruídos, rugiu e deu ordem aos guardas para que prendessem os bandidos. Mas os guardas não o reconheceram; e não obedeceram.

Só restavam três chances: o Elefante, com seu peso e força, deveria amedrontá-los; a Girafa deveria apanhar cocos nas copas para servir de munição; e o Tucano deveria atacá-los a bicadas.

Mas que decepção! Agora, por causa do terrível Senhor Complexo, o Elefante estava magrinho, a Girafa não alcançava o coqueiro e o Tucano não tinha mais bico para atacar. Bem que o Macaco tentou chamar reforço, mas estava tão musculoso que arrebentou logo o primeiro galho em que pulou! Foi um desastre…

Então, Maurício acordou. Ele correu para abraçar a mãe e contar a ela o sonho. Daquele dia em diante, foi um menino mais feliz, aceitando-se como era, sem dar ouvido ao terrível Senhor Complexo.

Joãozinho e os coelhos
Joãozinho e os coelhos

Joãozinho estava tão feliz! O tio lhe havia dado dois lindos coelhos. Um era pardo e o outro, branco e preto. O tio trouxera também uma gaiola verde para os coelhos. João prometeu cuidar deles sozinho, e fez exatamente isso durante muitos dias. Alimentava-os, limpava a coelheira e, de vez em quando, os deixava sair para um passeio. Algum tempo depois, no entanto, em vez de cuidar dos bichinhos, ele saiu para brincar.

– E os coelhinhos, João? Não é hora de alimentá-los? – perguntou a mãe.

– Sim, mamãe, vou fazer isso quando voltar. Carlos ganhou um filhote de labrador e vou vê-lo. Voltarei logo.

Mas João demorou bastante e, ao voltar, estava com muita fome. Ficou surpreso ao ver a mesa limpa, e a mamãe não estava em casa. Encontrou o pai assistindo ao jornal e perguntou:

– Papai, quero jantar. Estou com fome. Onde está a mamãe?

O pai, que sabia tudo a respeito dos coelhinhos famintos, respondeu:

– Sua mãe me disse que ia visitar uma amiga.

João achou estranho.

– Mas, papai, estou com fome… – e seus olhos se encheram de lágrimas.

O pai chamou o filho para perto de si e disse:

– João, todos nós temos tarefas a cumprir. Se não cumprirmos nossos deveres, outras pessoas sofrerão. Temos de continuar, dia a dia, fazendo as mesmas coisas. Nem sempre queremos fazê-las, mas sabemos que isso é necessário. Todos os dias, vou ao escritório, para trabalhar e ganhar dinheiro para o nosso sustento. Sua mãe cuida do nosso conforto em casa e prepara as refeições. Você não está triste porque ela não cumpriu seu dever, mas saiu para passear?

O garoto concordou com a cabeça.

– Ora, é assim que você tem tratado os coelhos. As pobres criaturinhas dependem de você. Não podem cuidar de si mesmas, e você as deixou lá na coelheira. Sua mãe saiu para lhe ensinar uma lição.

Exatamante nessa hora, mamãe entrou em casa. Joãzinho se aproximou dela e, abraçando-lhe, disse:

– Mamãe, eu não sabia como era terrível passar fome. Vou alimentar meus coelhos agora mesmo.

Sem demorar mais, o menino fez o que havia dito que ia fazer. Ao voltar, a mãe já havia preparado um bom jantar. Daí em diante, João nunca mais se esqueceu de alimentar os coelhos, de servir a alguma pessoa que confiasse nele ou de fazer alguma coisa que dele dependesse.

Primeiro de abril
Primeiro de abril

Joana e João não estavam alcançando sucesso algum com suas brincadeiras de Primeiro de Abril. Não conseguiam enganar ninguém. Todos pareciam estar bem atentos quanto ao “Dia dos Bobos.”

– Talvez nos divertíssemos mais no 1º de março – resmungou João.

– Sim, ou em qualquer outro dia primeiro – concordou Joana.

Eles pedalavam, vagarosamente, para casa em seus triciclos. Não havia ninguém na rua com exceção de um senhor já idoso que morava na mesma quadra que eles. O pobre homem carregava uma pesada sacola de compras e, mesmo com a ajuda de sua bengala, não conseguia progredir na volta para casa.

O Sr. Oliveira colocou a sacola no chão ao lado das duas crianças e disse:

– Como está quente! Vou ter que voltar ao mercado, pois esqueci de comprar as cenouras que minha esposa pediu. Vocês poderiam cuidar um pouco das minhas compras? Eu volto logo…

Joana e João até poderiam ir ao mercado para o Sr. Oliveira, mas não tinham permissão de atravessar a avenida. Assim, Joana respondeu:

– Teremos o maior prazer de cuidar de sua sacola.

O velhinho desceu a rua batendo a bengala no chão a cada passo que dava.

– Agora, não podemos brincar nem passar trote em mais ninguém… – suspirou Joana.

– Já sei o que podemos fazer! – gritou João. – Podemos fazer uma brincadeira com o Sr. Oliveira. Vou buscar o carrinho de mão do papai e podemos levar embora a sacola com as compras.

Joana olhou surpresa para o irmão e disse que não deveriam fazer nada que prejudicasse
o velhinho.

Mas João não deu atenção à irmã: buscou o carrinho de mão e o encheu com as compras. Então, foi puxando enquanto Joana o seguia. Ao se aproximarem de uma casa branca, ela estranhou:

– Ué! Essa é a casa do Sr. Oliveira!

João tocou a campainha. Uma senhora de idade o atendeu. O menino explicou que o Sr. Oliveira tivera que voltar para buscar algo que esquecera e deixara a sacola ao cuidado deles.

– Muito obrigada – disse a mulher. – Fico feliz porque meu marido não precisou carregar isso até aqui, pois está muito pesada e o dia está bem quente.

As crianças saíram correndo antes que o Sr. Oliveira retornasse. Logo, ele apareceu e, olhando para as crianças sem as sacolas, não entendeu o que havia acontecido:

– Vocês prometeram que cuidariam das minhas compras. Onde estão elas? Vocês deixaram que alguém as roubasse?

– Sim! – disseram as crianças.

De início, o homem ficou muito aborrecido. Mas, então, ouviu quando os dois gritaram:

– Primeiro de Abril! Nós levamos sua sacola até sua casa!

Sorrindo aliviado, o Sr. Oliveira disse que aquela brincadeira de Primeiro de Abril fora a melhor que já lhe havia acontecido e foi embora.

Os dois irmãos também concordaram que essa tinha sido a melhor brincadeira que já haviam feito e combinaram que a fariam novamente no ano seguinte. Esse sim é um Primeiro de Abril digno de ser repetido!

Férias sem energia elétrica
Férias sem energia elétrica

– Vão ser as piores férias da minha vida! – gritou Marcos num canto da sala.

Melissa, do outro lado, chorava como se o mundo fosse acabar.

– Vocês não precisam fazer esse escândalo todo. O sítio do Tio Aldo é ótimo – disse a mãe, tentando acalmar os filhos.

Marcos e Melissa achavam o sítio do tio Aldo muito parado. Mas, como tinham que ir, resolveram levar o videogame e opções de vários jogos, o MP4 e o DVD para ligar à velha televisão do tio e assistir a muitos filmes. Também pediram ao pai o notebook com um aparelho de internet móvel, que permitiria a conexão com o mundo civilizado. Agora as férias seriam ótimas de verdade!

Depois de horas de viagem, viram a velha porteira perto de um grande pé de jaca e, atrás dele, o gordo tio Aldo tentando fazer graça.

– Surpresa! – disse o tio, saindo de trás da árvore. – Estas vão ser as melhores férias de vocês – disse empolgado.

– Ahan… com certeza! – Marcos falou baixinho
para Melissa, apontando para a mala cheia de
aparelhos eletrônicos.

Mal entraram na casa, as crianças foram tirando os equipamentos. Passaram a noite jogando videogame.

No dia seguinte, quando os pais levantaram para tomar café, Marcos e Melissa já estavam vendo filmes havia muito tempo. Depois que se cansaram, foram para a internet.

Tudo estava indo maravilhosamente bem, até que à tardinha caiu uma chuva forte. As crianças ficaram morrendo de medo por causa dos trovões. Depois de um tempo, um barulho enorme. Um raio caiu em algum lugar do sítio e a energia foi embora. O tio foi ver o que tinha acontecido. Ele explicou, mas os meninos não compreenderam. Só entenderam uma coisa: não haveria energia elétrica pelo resto das férias.

– Aaaaaaah – gritaram indignados. – Como assim? A gente vai ficar neste fim de mundo sem energia? – berraram. Eles não podiam acreditar.

Logo chegou a noite. O tio bateu na panela e chamou a família para o jantar. A cozinha estava toda decorada com velas e o tio Aldo, vestido de garçom. Foi o jantar mais engraçado que eles já tinham visto. Depois de comer, a família continuou em volta da mesa contando histórias engraçadas do passado. O tio era o mais palhaço. Começou a contar piadas e todos riram até a barriga ficar doendo. Depois, ficaram jogando dominó até tarde. Como aquilo foi bom!

No dia seguinte, o sol apareceu brilhante. O tio Aldo foi acordar os meninos para andar a cavalo. Que emoção! Parecia coisa de filme. De tarde, todos foram para a lagoa. Marcos ficou nos ombros do pai e Melissa nos ombros do tio. A mãe ficou na torcida.

O tio Aldo também deu um livro para cada um. No começo, eles não ficaram com muita vontade de ler, mas depois gostaram. Cada um leu dois livros durante as férias, sendo que o Marcos nunca tinha lido um livro até o fim em toda a vida.

O Marcos também começou a tocar violão nas férias. O tio Aldo tinha um violão antigo
pendurado na parede. Ensinou o sobrinho a tocar alguns acordes e, no fim das férias, o menino
já tirava um sonzinho.

A única coisa ruim das férias foi a despedida. Por incrível que pareça, ninguém queria ir embora, mesmo sem energia elétrica no sítio.

Na hora do abraço final, o tio deu um livro de histórias para cada um. As crianças vibraram. Depois, para surpresa de todos, deu o velho violão para Marcos. Agradecido, ele tocou “Parabéns pra você” com uma letra que inventou na hora:

Nestas férias fiquei

Até sem energia.

Aprendi que sem ela

Curto bem minha vida.

 

Texto: Daniel Lüdtke

Atolados na Lama
Atolados na Lama

O dia estava nublado. Josias e Marcos, dois irmãos, foram com a mãe até o mercado municipal onde todos os dias se realizava uma feira livre. Ali, ela os deixaria e seguiria para o trabalho. Eles teriam que retornar sozinhos para casa. Foram pela rua João Cabral e depois alcançaram a avenida Maranhão, por onde seguiram até o mercado velho, como ficava a conhecida feira. A avenida Maranhão margeia o rio Parnaíba, que divide o Piauí do Maranhão; é o segundo maior rio do nordeste brasileiro. Há uma ponte metálica ligando a cidade de Teresina à cidade de Timon, por onde antigamente passava o trem.

Quando passaram pela ponte, os meninos olharam a margem do rio e viram uma areia bonita e fina. Pensaram e combinaram que voltariam pela beira do rio, que era o caminho mais perto para casa. A mãe, ouvindo a conversa, já foi logo interferindo e desautorizando os meninos a voltarem pela beira do rio. O motivo era óbvio. Havia chovido muito e o rio tinha transbordado. Agora, um pouco mais seco, formara uma camada fina de areia na margem; mas só por cima. Embaixo, era pura lama.

Os meninos tinham ganhado um par de tênis. Eram azuis, lindos! Inclusive estavam estreando naquele dia.

Mas, ao retornarem das compras e voltarem para casa, seguiram o plano combinado, desobedecendo às ordens da mãe. Foram pela beira do rio. No início, encontraram algumas pedras. Tudo bem! Mas não demorou muito e as coisas começaram a ficar difícies. A lama era terrível! E os dois foram atolando até a canela. Não demorou, atolaram até o joelho. As compras que estavam na cesta caíram na lama. Numa pisada, Josias perdeu um dos pés dos tênis e começou a chorar e a se desesperar. Marcos estava consciente de sua responsabilidade, já que era o mais velho. Tratou logo de procurar o tênis do irmão nos buracos das pisada. Felizmente, ele o encontrou!

Não conseguiram andar muito e foram avistados por um rapaz que estava acima deles, numa barreira. O rapaz perguntou o que eles faziam ali, naquela situação; e os ajudou a subir e a sair daquela angústia e pesadelo.

Assim, foram para casa, mas sabendo que certamente a mãe descobriria a proeza e o castigo viria. Eles até que tentaram limpar os tênis novos, lavaram e esfregaram muito, com sabão e escova; mas, mesmo assim, eles ficaram encardidos do barro vermelho da beira do rio. Lavaram as verduras e tudo mais, mas os vestígios ficaram e não foi difícil a mãe perceber que eles tinham desobedecido à sua ordem e voltado para casa pela beira do rio. Os dois ficaram de castigo, sem sair para brincar com os amigos por um bom tempo. E a lição ficou: a desobediência não leva a lugar algum, faz o desobediente atolar na lama cada vez mais. Isso sem contar a perda moral e a material. No caso do Josias e do Marcos, os lindos tênis que eles tinham ganhado de presente, novinhos, há pouco tempo!

Texto: Camilo Martins

Tudo novo
Tudo novo

Ele não estava muito animado com o início das aulas

O açúcar de cada um
O açúcar de cada um

Dona Míriam se levantou e pediu que o garoto a acompanhasse